Overthinking

Overthinking

Overthinking e a lei dos retornos decrescentes - On Navel-gazing and finding out that your navel is the door to the abyss

O pensamento sofre de diminishing returns. A partir do momento que se torna excessivo - a partir de quando o “thinking” se torna “overthinking” -, os ganhos decrementam exponencialmente.

A princípio, refletir traz ganhos; a introspecção é uma bússola necessária para quem não quer viver no automático. É importante olhar para dentro, investigar temas e emoções. Sempre há ganhos nisso. Mas, quando o equilíbrio se perde, o que era investigação torna-se ruminação. Em excesso, o indivíduo dissolve a própria mente no processo. Energia cognitiva que vira pó.

As mesmas perguntas sendo feitas sobre um mesmo assunto, a mesma emoção sendo reestimulada e a mesma ideia explorada das mesmas formas. De algum modo, para quem está dentro do furacão, isso parece razoável. Como se fôssemos, depois da 21.938.192ª sessão de overthinking sobre aquele tema X ou Y, descobrir algo novo. Como se fôssemos chegar, finalmente, à “Verdade Última”, a uma conclusão fatídica que resolveria aquele assunto. Mas a verdade é que certas linhas da nossa existência são pontas soltas que não podemos cortar conscientemente.

Lost in thoughts, all alone…

O overthinking se acomoda ao ego, ganhando um “capital simbólico” quando visto por outros. Então, talvez você já tenha ouvido: “Olha só aquele rapaz imerso em reflexões profundas, como ele é intelectual” ou “Essa garota é muito pensativa e introspectiva, ela é tão inteligente…”… e se você acredita nisso, está apenas dando um doce ao próprio ego, louvando mais a performance do ato de pensar em excesso do que os resultados que isso traz à sua vida e das pessoas que você ama, enobrecendo o ensaio mais do que a apresentação da peça.

Nossa cultura superestima a força bruta do consciente. Somos ensinados a martelar o problema até que resolvamos ele. No entanto, a única coisa que sofre com a contundência desse martelo mental é a nossa saúde emocional. A neurociência até então nos mostra que o consciente é uma ferramenta de foco e um péssimo processador massivo. Muitas vezes, é o inconsciente, seu “Outro Eu”, que existe sob as cortinas, é que resolve as coisas e processa as emoções difíceis.

Existe o medo de que, se pararmos de visitar um assunto com o pensamento, perderemos o controle ou deixaremos algo importante ir embora. Seja por dor, rancor ou vício - porque sim, dá pra nos viciarmos em repetições mentais -, seguramos o pensamento como uma âncora algemada à nossa perna. Mas o processamento real muitas vezes exige incubação, e não esforço. O inconsciente lida com o que o consciente é incapaz de carregar; ele é uma ferramenta potente, mas que é raramente celebrada. O Budismo (oi, Abel) é um exemplo de doutrina que mostra os méritos do processamento inconsciente.

Por fim, eu digo: pense, sim; o ser humano que elabora sempre estará acima daquele que apenas age pelo mero instinto. Mas a elaboração deve ser feita com moderação. Ao contrário do que a celebração da figura d’O pensador na nossa cultura possa sugerir, o pensamento só é verdadeiramente nobre se puder servir de alicerce para ações melhores. Sem concretizar o planejado, sem “carcar o ideal no real”, o intelectualismo excessivo é apenas um vício solitário.